Paleterias mexicanas podem ser o próximo grande pesadelo.

O desejo de abrir o próprio negócio motiva milhares de pessoas a empreenderem, abrindo empresas dos mais diversos ramos e atividades. Porém, os números em relação à sobrevida das empresas brasileiras são preocupantes, pois menos de 10% delas manterão suas atividades por mais de 04 anos. As causas mais relevantes para esse insucesso estão na falta de experiência e planejamento do empreendedor.

Cientes desta dificuldade, muitos buscam na franquia a solução para garantir que seu empreendimento obtenha sucesso, uma vez que no formato deste negócio estariam, no pacote, todo o know how de que o franqueado necessita para atingir o almejado êxito.

Mas será que a franquia é garantia de sucesso?

Há poucos dias acompanhei, como amigo, o encerramento das atividades de uma loja franqueada. Momento muito triste, pois não se trata simplesmente de fechar as portas da loja, mas sim, de todo um sonho alimentado pelo desejo de empreender e crescer. E se não bastasse a frustação do sonho não concretizado, é preciso também assimilar todo o prejuízo financeiro experimentado, e neste caso específico, a situação foi realmente muito triste, pois o franqueado havia investido toda sua reserva de 20 anos de trabalho.

Lembrei quando, no ano passado, fui convidado para visitar uma rede de lojas de acessórios femininos, estabelecida através de franquias no México. Das 24 lojas abertas, 22 sofriam de um severo prejuízo financeiro, os procedimentos e padronizações não eram claros e, aquilo que era claro, definitivamente estava em completo desalinho com o que o mercado esperava. O modelo estabelecido nas primeiras duas lojas que, foram sim, por um tempo um sucesso, obviamente não estava se duplicando nas unidades franqueadas. Não havia nada que pudesse fazer naquele momento para ajudar aquele grupo de franqueados infelizes.

Existem no mercado hoje inúmeros franqueadores que estão oferecendo suas franquias e, obviamente maximizam suas vantagens e projetam atraentes lucros, tudo com o objeto de encantar o empreendedor a fim de que invista naquela naquele negócio.

Infelizmente muitos desses franqueadores estão mais preocupados em expandir as suas redes do que no sucesso da unidade negociada, e isso é muito delicado, pois o franqueado acaba sendo inserido no mercado, por vezes, sem experiência para superar os naturais obstáculos que lhe sobrevirão no dia a dia, dentre os quais os da concorrência, das relações trabalhistas, consumistas, obrigações tributárias, etc., sem falar nos custos de manutenção da própria franquia, que são elevados, com pagamento de royalties e outras taxas ao franqueador.

Cabe uma ponderação nesse aspecto. Muitas vezes, a autocrítica do empreendedor está  tão subestimada, que ele mesmo não é capaz de perceber que, naquele momento, talvez ainda não esteja pronto para empreender, nem mesmo através de um modelo facilitado como o de franquia. A ponderação pode ser ampliada quando se avalia aqui a necessidade de o franqueador ter de suprir essa deficiência, não através de treinamento, mas através de negar o acordo com alguns franqueados potenciais até que eles estejam melhores preparados.

Investir em uma franquia pode ser um ótimo negócio, desde que  o franqueador efetivamente entregue o que prometeu por ocasião da venda da franquia, dê suporte ao franqueado e que este tenha pleno conhecimento do mercado em que está ingressando e de todos os riscos que está assumindo.

Para que o sonho de ter uma franquia não se transforme no pesadelo do insucesso no empreendimento, a sugestão, para quem tem interesse em investir neste negócio, é, no mínimo, primeiro se preparar para ingressar no mercado, estudá-lo, buscar conhecer sua realidade, principalmente na região onde irá instalá-lo, investigar a realidade da franquia com outros franqueados, a relação do franqueador com seus franqueados, conhecer a concorrência e tornar-se um conhecedor da atividade que irá exercer.

Escrito por Hanri Maroni
Consultor Empresarial especializado em Marketing e Franquias com mais de 12 anos de experiência. Responsável pela expansão de grandes marcas brasileiras e tem colaborado com a expansão de muitas marcas brasileiras ao mercado internacional.