É cada vez mais comum o movimento de franquias brasileiras que se aventuram a expandir suas marcas além dos limites do Brasil. As razões que as levam a tomar essa decisão são as mais variáveis, indo desde a possível saturação do mercado interno, até mesmo a busca incessante de investidores internacionais por novos negócios no exterior.

As franquias brasileiras estão presentes em 60 países (2015). Os principais mercados de destino são Estados Unidos, Paraguai e Portugal. “Considerado um mercado modelo na operação de franquias, a preferência pela América do Norte se destaca dado o desafio de se obter êxito nesse cenário e a possiblidade de ‘passar no teste’ para a expansão em outros continentes. Por sua vez, o Paraguai aparece como um dos principais destinos pela proximidade, expansão econômica e pelas facilidades de tributação e Portugal pela similaridade do idioma, país que ocupou o segundo lugar em preferência mesmo em um cenário recessivo nos últimos anos, voltou a crescer e deve acirrar a disputa”, ressalta Claudio Tieghi, diretor de inteligência de mercado e internacional da Associação Brasileira de Franquias.

No entanto, nem tudo são sonhos quando se fala em expansão internacional. Muitas franquias tem encerrado as suas operações no exterior na mesma velocidade em que as iniciam. Isso se deve principalmente a falta de entendimento sobre as características do novo mercado. “Não é apenas um novo mercado, mas um novo hábito de consumo, uma nova forma de comprar que deveria exigir uma nova forma de atuação das franquias brasileiras” comenta Hanri Maroni, principal condutor de marcas como Emporio do Aço (Acium) e Chilibeans ao mercado internacional. “E pior que isso, muitas franquias optam por iniciar o processo de expansão em mais de um país, ao mesmo tempo, gerando um enorme desgaste e um custo excessivo de aprendizado”, completa.

Tal imprevisibilidade se confirma quando se observa que mais de metade das marcas brasileiras que expandiram para o exterior encerraram suas operações em menos de 24 meses, a maioria dela atribuindo ao desconhecimento do mercado como principal motivo para essa derrocada. Algumas empresas tem enorme dificuldade em adaptar seu know how ao novo mercado e outras, tardiamente, percebem que o seu know não funciona em determinado país. Segundo Maroni, conhecer e viver o novo mercado são passos essenciais para determinar a presença de uma franquia no exterior. “Muitas vezes é melhor voltar atrás do que se perder no caminho” cita, se referindo ao fato de que, muitos empresários, apenas porter feito um pequeno investimento em determinado país se sentem obrigados a prosseguir em um processo de expansão. “A busca por parceiros locais, associações de franquias, feiras e profissionais locais normalmente é determinante para o entendimento geral do mercado e posterior sucesso operacional.”completa.

O diretor da ABF destaca também o trabalho da entidade no suporte ao movimento de internacionalização. “Em parceria com a Apex-Brasil, a ABF vem promovendo uma série de ações para incentivar e desenvolver a internacionalização de franquias brasileiras. Elas vão desde cursos de formação, participação em feiras e eventos internacionais e missões. Destaque para o Projeto Franchising USA que está preparando um grupo de franquias brasileiras interessadas em se estabelecer nos Estados Unidos. Além de toda uma orientação e suporte, essas empresas irão compartilhar um escritório na Flórida a fim de acelerar seus processos de expansão naquele País”.

Além de Emporio do Aço (Acium) e Chilibeans, Maroni lembra que outras marcas franqueadoras brasileiras também estão presentes no exterior. O Grupo Ometz conta com cerca de 420 escolas, sendo 412 franqueadas, no Brasil, América Latina, Estados Unidos e China. A rede de sapatos Via Uno tem 255 unidades e hoje está presente em 25 países. A Fábrica Di Chocolate, empresa especializada na comercialização de chocolate com frutas, tem 40 unidades no Brasil, Kuwait, Austrália, Espanha, Japão, República Dominicana e Venezuela. “O mercado é imenso e está a disposição de todos, desde que atuem nele com prudência, conhecimento operacional e principalmente muita disposição em aprender e fazer ajustes”.