Porto Alegre e Belo Horizonte são as capitais com mais casos de depressão

Pesquisa do Ministério da Saúde apontou que as cidades de Porto Alegre (RS), e Belo Horizonte (MG), são as capitais líderes em depressão.

Uma pesquisa feita pelo Ministério da Saúde apontou que as cidades de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, e Belo Horizonte, em Minas Gerais, são as capitais líderes em diagnósticos de depressão em todo o país.

A Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vitigel Brasil) 2021 entrevistou mais de 27 mil brasileiros, e os resultados chamam a atenção.

Em Porto Alegre, o percentual de referências ao diagnóstico de depressão foi de 17,5%, e em Belo Horizonte, 17,2%. Florianópolis está logo atrás, com 17,1%.

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Para o médico Agamenon Onorio, psiquiatra e membro do Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura, a pandemia e a crise econômica que se instalou no país interfere – e muito – nesse resultado.

“Os sintomas da depressão estão no coletivo”, aponta. “A pandemia mudou o mundo, estamos em um ‘novo normal’, ainda mais para quem teve covid-19, sabe das sequelas, a demora para se recuperar, e no pós-covid, os sintomas depressivos são os que mais aparecem. Famílias segregadas, crianças fora da escola, o mundo entrou em um processo pavoroso, que gerou muita tristeza, ansiedade e depressão nas pessoas”.

“Quando o Ministério da Saúde faz uma pesquisa dessa e detecta índices alarmantes a gente se pergunta: o que está acontecendo? A demografia está aumentando. O processo coletivo das necessidades básicas, pessoas que vivem o dia a dia com a falta de alimentos, as coisas pioram muito nesse aspecto econômico, e esses resultados também passam por isso. São reações ao luto, perdas financeiras, afetivas, material, tudo está ligado a esse processo”, pontua.

Moradora de Belo Horizonte, a analista de dados Yasmin Uchôa descobriu a depressão ao investigar os reflexos de problemas profissionais. Ao realizar testes junto a um profissional, o diagnóstico de um problema mais profundo apareceu. O tratamento começou durante a pandemia de covid-19.

“Eu estava em um nível de depressão grave, pra severa. Comecei o tratamento com medicamentos tanto para depressão como para dormir, e fiquei com esses dois profissionais me acompanhando em conjunto. Levou uns seis meses para ajustar a dosagem e os remédios que me ajudaram a melhorar”, conta.

Foram dois anos de trabalho para que ela pudesse alcançar a alta, que aconteceu neste ano. “O tratamento da depressão passa por medicamentos muito importantes mas também pela análise de como você reage a vida. Como as situações do presente e do passado deixam marcas e afetam uma realidade que talvez, sozinho, você não consiga perceber”.

Esse modo como as pessoas têm se relacionado preocupa o especialista. “As relações sociais estão quebradas por uma relação mais de tela, computador, celulares. Falta o componente afetivo do olho, da pele”, comenta.

“As pessoas se isolam em celulares, redes sociais, isso dificulta, por mais que tenham conexão porque não há conexão afetiva. Conheço pais preocupados com jovens que se trancam no quarto e o mundo se torna o computador. Ao invés de agregar, separa. Mas a pandemia com certeza piorou muito.”

No levantamento, Campo Grande (MS) e Curitiba (PR) completam as cinco primeiras posições com 16,6% e 16,1%, respectivamente. Belém (7,2%), Salvador e São Luiz (8%) detêm os menores índices.

Mulheres mais afetadas

Segundo o psiquiatra, cerca de 10% da população brasileira enfrenta ou já enfrentou problemas semelhantes ao de Yasmin. As mulheres, no entanto, são as mais afetadas – em Belo Horizonte, elas são 23% dos diagnósticos, o maior índice do país.

“Essa incidência é de 1 para 100 homens, e 3 para 100 mulheres. As mulheres têm muito mais chances de ter depressão, e normalmente em torno dos 40 anos”.

Isso pode acontecer por fatores genéticos, hormonais, e principalmente, psicossociais: são elas as mais cobradas com rotinas exaustivas de trabalho, afazeres domésticos e cuidados com a família, questões que também tiveram a carga aumentada durante a pandemia.

“Esses fatores favorecem crises depressivas. Estudos feitos nos Estados Unidos, na Itália e no Quênia mostram um aumento de ocorrência do estresse severo nos três meses que precedem um quadro depressivo, então ele pode ser listado como uma pré-disposição à depressão.”

A Vitigel ouviu cerca de mil habitantes maiores de 18 anos em cada capital brasileira por meio de ligações telefônicas. O nível de confiança da pesquisa é de 95%, e e erro máximo de quatro pontos percentuais.

Se você precisa de ajuda ou mais informações, procure o Centro de Valorização da Vida (CVV) para apoio emocional e preventivo ao suicídio. Ligue gratuitamente para 188 ou acesse www.cvv.org.br.

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